Modernização administrativa
Percebe-se o esforço dos políticos que agitam as águas da Função Pública para agilizar o Estado e para lhe dar novo sentido. Louva-se até a maioria das coisas que vão sendo feitas — de tal modo se louva que até os privados podiam seguir o exemplo em vez de estarem sempre a carpir sobre o Estado, o Estado, o Estado. Contudo, a modernização administrativa ainda não chegou às mentalidades, e dificilmente chegará. Dois exemplos:
~Ao fazer a inscrição do ganapo na escola, um erro no preenchimento causou logo grande complicação. “Agora tem de ir à escola buscar outra ficha de inscrição”, disse-me a senhora administrativa, resoluta. “Por causa de um erro destes? Não se pode passar um corrector e preencher por cima?”, tentava perceber perante um olhar absolutamente vazio da senhora:”Não, terá de ir buscar um novo”. Não me conformei e insisti que já tinha perdido a manhã com os papéis, que provavelmente a outra escola tinha fechado entretanto para almoço, que aquilo era apenas um papel de inscrição, que (fui fazendo contas) teria de percorrer mais uns 15 a 30 quilómetros e incomodar outras pessoas (ou chegar atrasado a compromissos)… tudo coisas que se resolveriam sem problema com um bocado, cinco centímetros, de corrector branco. “Meu senhor, isto é um documento oficial, não se pode rasurar ou passar corrector!”, proclamou senhora de si da sua função. “Minha senhora”, respondi-lhe, “isto é uma FOTOCÓPIA de um formulário, mal tirada ainda por cima. Se eu digitalizasse esta FOTOCÓPIA e lhe retirasse o erro e viesse aqui entregá-la a senhora não perceberia o erro; chamar “documento oficial” a uma FOTOCÓPIA é um disparate”. Não sei se ela percebeu a minha fúria, creio que sim e que era uma provocadora porque logo a seguir insistiu que teria de passar “na outra escola” a pedir o “documento oficial”.
Resultado final: perdi mais três horas – o documento será entregue 24horas depois – , percorri mais 35 quilómetros, atrasei-me na actualização do Esgravatar ;-) e cheguei atrasado a um compromisso. Quando cheguei à “outra escola”, a funcionário abriu o documento no computador, imprimiu-o e colocou-lhe um carimbo de borracha. Tinha de novo o “documento oficial”.
~Recentemente, para um eventual regresso à Universidade, tive de pedir um certificado de habilitações do meu curso inacabado. Para o fazer, na instituição que frequentei, preciso do Bilhete de Identidade. Como? Precisamente, nem passaporte, nem carta de condução, nem carteira profissinal, nada, nem aqueles três juntos e o número do BI (que sei de cor). “Tem de ser o BI”. Porquê? Porque na ficha de requisição há um espaço para colocar “Emitido pelo Arquivo de Identificação de…”, que não pode ir em branco. Resultado… espero saber dentro de dias.
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Só facilidades. “Papel? Que papel?” Beijinhos.