A saúde da Democracia

4 Maio 2013
Comentador televisivo é que anuncia reunião do Conselho de Estado

1.º de Maio III

2 Maio 2013


1.º Maio II

1 Maio 2013
Porto, 2013


1.º de Maio I

1 Maio 2013
Porto, 2013

Kapuscinski no Centro Português de Fotografia

29 Abril 2013


Brasil em Frankfurt

29 Abril 2013

Convidado de honra, Brasil investirá 10 milhões de dólares para Feira de Frankfurt 2013. O investimento abarca a programação como convidado de honra da feira e atrações culturais pela Alemanha. Evento é visto como oportunidade de projetar a cultura brasileira e terá uma comitiva de pelo menos 70 escritores nacionais.

“Estamos todos nós cheios de vozes que o mais das vezes mal cabem em nossa voz.”
Este verso de Ferreira Gullar abriu a conferência sobre a participação do Brasil como convidado de honra da Feira do Livro de Frankfurt em 2013.
Além do investimento milionário do Ministério da Cultura (Minc) destinado não só à Feira de Frankfurt, mas também a uma vasta programação cultural na Alemanha ao longo do ano, o Brasil ampliará significativamente sua participação em termos de espaço. O estande do país, que já cresceu para 330 metros quadrados neste ano, terá 2.500 metros quadrados no ano que vem – incluindo livros, exposições e um auditório.
O mesmo salto será verificado quanto ao número de autores brasileiros presentes ao evento. Em 2011, foram três, neste ano, 11, e em 2013, a comitiva brasileira será constituída de pelo menos 70 escritores.
“A literatura repudia, nega generalizações fáceis e é capaz de mostrar um Brasil de múltiplas vozes, sem clichês e exotismos”, disse Milton Hatoum, um dos escritores presentes na feira deste ano.
A atual edição da feira inclui ainda leituras e mesas-redondas com João Paulo Cuenca, Marina Colasanti, Andréa del Fuego, Luiz Silva (Cuti), Michel Laub, Patrícia Melo, Roger Mello, Alberto Mussa, Luiz Ruffato e Cristóvao Tezza. O crítico literário e ex-curador da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) Manuel da Costa Pinto coordenará a curadoria que escolherá os autores para 2013.
“Frankfurt é para os autores brasileiros como a Copa do Mundo de Futebol. Todo mundo quer estar na lista de convocados”, compara Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), que coordena a presença brasileira na feira de 2013.
Com o slogan “Brasil em cada palavra”, esta será a segunda vez que o Brasil será homenageado na maior feira de livros do mundo, depois de 1994. Apenas a Índia esteve presente duas vezes como convidada de honra.
“A Índia e o Brasil são dois países que passaram por um desenvolvimento incrível nos últimos 20 anos, não apenas economicamente, mas culturalmente também. Surgiram novas gerações de autores, infelizmente ainda pouco traduzidos”, lamentou Juergen Boos, presidente da Feira de Frankfurt.
Para Amorim, hoje o Brasil é a bola da vez por conta da estabilidade democrática. “O mundo quer saber mais sobre o país. E nada melhor do que a cultura, a literatura, para ajudar a compreender melhor o que somos e o que pensamos”, completou.
Segundo Amorim, a feira de 2013 será, porém, apenas uma etapa do processo de internacionalização da literatura brasileira. Ela servirá como alavanca para investimentos futuros. As iniciativas incluem um investimento de 35 milhões de dólares do Minc para financiar a tradução de obras nacionais.
Amorim destaca também que ainda é preciso investir muito em políticas públicas para mudar a relação com a literatura nacional dentro do próprio país. Hoje, cerca de 88,2 milhões de brasileiros acima de cinco anos se declaram leitores, cerca de metade da população. A média de livros lidos por cada cidadão brasileiro ainda é baixa, de quatro por ano, mas dobrou desde 2001, quando era de 1,8 livro por ano.
DW.DE
Jürgen Boos: interesse pelo Brasil é grande
“É importante que o estreito contato Brasil-Alemanha que já existe em termos econômicos, por exemplo, seja estendido para o campo da cultura”, considera Boos. O povo brasileiro foi formado com contribuições de gente do mundo todo e “agora está na hora de o Brasil devolver isso – e através da cultura”, completa Amorim.
Segundo o presidente da FBN, a Alemanha, que nos últimos 20 anos aparecia em quinto lugar na lista de países que mais traduzem livros brasileiros, hoje ocupa a primeira posição. A Alemanha traduz de muitos idiomas e o interesse pelo Brasil é grande, confirma Boos.
A expectativa é de que mais de 200 títulos brasileiros sejam traduzidos para o alemão nos próximos anos, afirma o presidente da Feira de Frankfurt. “Espero que os novos autores se tornem conhecidos e que tenhamos uma nova imagem do Brasil e de sua cultura como um todo.” A organização da feira já elaborou uma lista com 65 obras brasileiras sugeridas para tradução a serem apresentadas a editoras.
A programação oficial completa da participação do Brasil na Feira de Frankfurt de 2013 será divulgada em junho do ano que vem, segundo Amorim.


Militares cantam ‘Grândola, Vila Morena’ em Madrid para exigir liberdade de expressão no exército

28 Abril 2013
Diário.es

Cidades mais violentas do Mundo (2012)

28 Abril 2013

Cinco de las 10 ciudades más violentas del mundo son mexicanas. 45 de las 50 ciudades más violentas se sitúan en el continente americano y 40 en América Latina. La jurisdicción subnacional más violenta del mundo corresponde a Honduras y 3 de las 10 jurisdicciones subnacionales más violentas del mundo son hondureñas. 19 de las 50 jurisdicciones nacionales más violentas del mundo se ubican en México y en Centroamérica. En México se siguen “rasurando” las cifras para aparentar que hay menos violencia.

San Pedro Sula, la ciudad más violenta del mundo; Juárez, la segunda


Grandolas hermanas

26 Abril 2013
Ontem, na Galiza e na Catalunha, a Grândola foi utilizada como canção de protesto, de memória e de respeito. Em Ferrol, colectivos de afectados pelas “preferentes” da banca, do “STOP desalojados” e funcionários de empresas públicas ocupam a reunião de câmara. Na Praza do Obradoiro, em Santiago, (imagem) centenas de pessoas juntaram-se para cantá-la antes de seguirem em direção ao Parlamento galego. Em Chapela, Redondela (Pontevedra), numa acampada de uma noite em defesa do ensino público, os manifestantes abraçaram-se e lembraram a música do Zeca Afonso (estreada em público precisamente na Galiza, em 1972). Na Catalunha, no início da Assembleia Nacional da Iniciativa Verds (coligação que reúne Verdes e Comunistas), também houve respeitosamente Grândola.


Mais um dia de vida

24 Abril 2013
A exposição sobre Ryszard Kapuscinski no Centro Português de Fotografia (que terminou domingo) era tão breve como o foi a sua divulgação. Surgida numa altura em que, tirando alfarrabistas ou mercados de saldo, não se encontram livros do jornalista polaco no mercado, em português (eram da Campo das Letras), ela teve um impacto muito inferior ao que o autor, o jornalismo, a literatura e o CPF mereciam.

Não sendo propriamente um seguidor de Kapuscinski, fui lendo os seus livros. Gostei especialmente de “Mais um dia de vida: Angola 1975” – embora tenha apreciado “Império”, “Ébano” e, naturalmente, “Os cínicos não servem para este ofício” (único ainda disponível).

O retrato da Angola pós-independência é especialmente interessante, e só por isso a breve exposição do CPF valeu a pena. Ver o Nelson, a Carlota e regressar ao relato de Luanda do livro fez-me bem. Por isso, e porque está esgotado, decidi transcrever alguns sublinhados de “Mais um dia de vida: Angola 1975”.

Luanda não estava a morrer da forma que as nossas cidades polacas morreram na última guerra. Não havia ataques aéreos, não havia “pacificação”, não havia destruição de bairro após bairro. Não havia cemitérios nas ruas e nas praças. Não me lembro de um único incêndio. A cidade estava a morrer da forme que morre um oásis quando o poço seca: esvaziou-se, prostrou-se inanimada, caiu no esquecimento. Mas essa agonia viria mais tarde; naquela altura havia uma atividade febril por todo o lado. Toda a gente estava cheia de pressa, toda a gente se ia embora. Toda a gente tentava apanhar o avião seguinte para a Europa, para a América, para qualquer lado. Portugueses de todas as partes de Angola convergiram para Luanda. Caravanas de automóveis carregados com pessoas e bagagem chegavam dos cantos mais remotos do país. Os homens traziam a barba por fazer, as mulheres vinham despenteadas e com roupas amarrotadas, as crianças sujas e cheias de sono. No caminho, os refugiados deslocavam-se em longas caravanas automóveis e atravessavam o país dessa forma, visto que, quanto maior o grupo, tanto mais seguro se tornava. Ao princípio, iam para os hotéis de Luanda, mas, mais tarde, quando já não havia vagas, iam diretamente para o aeroporto. Uma cidade nómada sem ruas nem casas despontou à volta do aeroporto. As pessoas viviam ao ar livre, permanentemente encharcadas, porque não parava de chover. Viviam agora em piores condições do que os pretos do bairro africano próximo do aeroporto, mas encaravam a situação com apatia, com uma resignação desanimada, não sabendo a quem amaldiçoar pela sua má sorte. Salazar morrera, Caetano tinha ido para o Brasil e o governo em Lisboa mudava constantemente. A culpa de tudo era da revolução, diziam eles, porque antes estavam em paz. Agora, o governo prometera a liberdade aos pretos e os pretos tinham-se desavindo entre si, queimando e matando. Não são capazes de se governarem. Deixe-me dizer-lhe como é o preto, diziam eles: embebeda-se e dorme todo o dia. Se puder enfeitar-se com umas contas de vidro, fica todo contente. Trabalhar? Ninguém trabalha aqui. Vivem como há cem anos atrás. Cem? Mil! Vi tipos desses, a viverem como há mil anos. Pergunta-me quem sabe como era há mil anos? Oh, claro que se sabe. Toda a gente como era. Este país não dura muito.

Pág. 17

Ninguém sabe quando vai partir, ou para onde.  Predomina uma confusão cósmica. A organização não é fácil para os portugueses, individualistas empedernidos que por natureza não podem viver confinados, em comunidade. As grávidas têm prioridade. Porquê elas? Eu sou pior, só porque dei à luz há seis meses? Está bem, as grávidas e as mulheres com bebés têm prioridade. Porquê elas? Eu sou pior, só porque o meu filho tem três anos? Pronto, as mulheres e as crianças têm prioridade. Ah? E eu? Lá porque sou homem, deixam-me aqui para morrer? Então, os mais fortes embarcam no avião e as mulheres com crianças atiram-se para a pista, para debaixo das rodas, de forma que o piloto não pode iniciar a descolagem. O exército chega (…)

Pág.18


Toda a gente se afadiga a construir caixotes. Mandaram vir montanhas de tábuas e contraplacado. O preço dos martelos e dos pregos subiu vertiginosamente. Os caixotes eram o principal tópico de conversa – como os construir, qual o melhor material para os tornar mais resistentes. Aparecem subitamente especialistas auto-proclamados, especialistas de caixotes, arquitectos caseiros de caixotaria, mestres de estilos de caixote, escolas de caixotes e modas de caixotes. Dentro da Luanda de cimento armado e tijolos, erguia-se uma cidade de madeira. Tropeça em pranchas de madeira deixadas ao acaso, prego despontando de vigas rasgavam-me a camisa. Alguns caixotes eram tão grandes como casas de férias, porque se tinha estabelecido, de um momento para o outro, uma escala social de caixotes. 

Pág.19

A Carlota chegou com a espingarda automática ao ombro. Embora estivesse com um uniforme camuflado grande de mais, via-se bem que era atraente. Começámos todos imediatamente a fazer-lhe a corte. (…) Mais tarde, quando revelei  as fotografias que lhe tirara, as únicas fotografias de Carlota que ficaram, vi que não era assim tão bela. Todavia, ninguém o disse em voz alta, para não destruir o nosso mito.

Pág.43

Pelo calendário, calculei que estávamos a 18 de Outubro de 1975. E, lembrei-me então, era sábado. Isso explicava o silêncio dos telefones. Porque, ao sábado e ao domingo, toda a vida cessava. Aqueles dois dias eram governados pelas suas próprias leis invioláveis. As armas silenciavam-se e a guerra era suspensa. As pessoas pousavam as armas e adormeciam. As sentinelas abandonavam os seus postos e os observadores arrumavam os binóculos. As estradas e as ruas esvaziavam-se. Os quartéis e as repartições estavam fechados. Os mercados desertos. As estações de rádio deixavam de transmitir. Os autocarros não circulavam. De uma forma incompreensível mas absoluta, este vasto país, com a guerra e destruição, a sua agressão e pobreza, estacava, ficava imóvel como se alguém tivesse feito uma magia, como se estivesse enfeitiçado. 

Pág.65

Regressávamos mais calmos ao carro, quando Nelson parou subitamente, endireitou os ombros e disse:
– Mais um dia de vida.

Pág.62


Brasileiros

23 Abril 2013

Vhils, Fragmentos. Filme de João Retorta; Musica: Cone Crew Diretoria – Chama os Mulekes (Instrumental).


Não gostar (mesmo) do Big Brother

22 Abril 2013
Francelos, ontem ao fim da tarde

Párem as redações

21 Abril 2013

The dramatic decline of the Philadelphia Inquirer newsroom captured in photos
(via LPM no FB)


Sombras

21 Abril 2013
Otto Umbehr @ B&W


Bahréin: Manifestantes lanzan cócteles molotov contra la Policía [vídeo RT]

20 Abril 2013

Boxe e música

15 Abril 2013

Steve Coleman, Law of Balance, de “10 days into the New York Scene…” no Sadam Ali Boxing Gym, Bay Ridge Brooklyn.
Steve Coleman – saxophone
Sadam “World Kid” Ali – box

As sombras de Bohyun Yoon

15 Abril 2013
“Unity” é o nome da instalação do artista coreano Bohyun Yoon que pendura pedaços fragmentados do corpo humanos, em silicone, dando-lhes uma aparência incoerente até que uma luz os reflete na parede. A sombra transforma-os em representações de posições sexuais. “I cut, I extend, I distort, I reconstruct, and I fragment the body to create a chaotic image of a human.” via

Reflexões de Fernando Fernán Gomez

14 Abril 2013

Grandes títulos: Tiger puts balls in the wrong place again

14 Abril 2013

New York Post, via Romenesko


É como quem diz: Puff, esquece!

12 Abril 2013


Jornalismo engenheiro

12 Abril 2013
Um prédio vai ser demolido num bairro social. Centenas de pessoas serão espalhadas pela cidade. Nas reportagens de TV não se vêem pessoas, apenas se ouve “cinco segundos”, “150 toneladas de”, “perímetro de segurança de 500 metros” ou em que andares serão colocados os explosivos. É o jornalismo engenheiro.

Achados arqueológicos na zona Mouzinho/Flores

9 Abril 2013
Foram descobertos achados arqueológicos na requalificação urbana do Eixo Viário Mouzinho da Silveira – Flores. As obras, da responsabilidade da empresa municipal de Gestão de Obras Públicas, têm sido acompanhadas por uma equipa de arqueologia que já conseguiu registar e preservar diversos achados, alguns com mais de 4 mil anos.

TV da Câmara do Porto


A queda da estátua de Saddam #iraque

9 Abril 2013
Editorial de José Manuel Fernandes a 10.04.2003

Que bonita foi a tua festa, Bagdad. Que bonito foi ver o teu povo na rua, por fim liberto do medo, por fim liberto da carapaça do regime, por fim capaz de expressar abertamente os seus sentimentos. E que importante foi ver gente celebrando com folhas de palmeira, queimando retratos de Saddam, oferecendo flores e cigarros aos soldados americanos, gritando “Saddam é inimigo de Deus”. Que emoção quando a estátua caiu e o povo a espezinhou, lhe bateu com os chinelos no rosto de bronze rachado, em sinal de supremo insulto e desprezo. Já repararam como tudo isto foi importante para a “rua árabe”? Já notaram como isso reforça as palavras, proferidas no fim-de-semana pelo mais importante líder espiritual dos muçulmanos sunitas, o xeique Muhammad Tantawi, imã da mesquita de Al-Azhar, no Cairo, em que acusava de “terrorista” o regime de Saddam? Já repararam na extraordinária janela de oportunidade que se abre? Confesso que é com emoção que escrevo estas linhas. As imagens de festa nas ruas de Bagdad, de Bassorá, de Arbil, lembraram-me o inesquecível 5 de Outubro de Belgrado, o dia em que um levantamento popular derrubou Milosevic, e a festa que eu próprio vivi, há quase 30 anos, num certo 25 de Abril. Lembram-se? Lembram-se como dias antes – por medo? por incapacidade de discordar? – Marcelo Caetano tinha sido aplaudido num estádio de futebol repleto, para dias depois, soltas as amarras, o povo – o mesmo povo – encher o Largo do Carmo pronto a linchá-lo? Lembram-se como diziam que não estávamos preparados para a democracia? Ou que nunca seríamos uma “democracia burguesa”? Talvez não se lembrem, mas eu lembro-me de tudo. E também de todas as dificuldades que vivemos a seguir. Por isso, se ontem não pude evitar uma lágrima furtiva – a mesma lágrima furtiva que nunca reprimo quando revejo a cena da Marselhesa no “Casablanca”, ou a imagem de Francisco Sousa Tavares, no Largo do Carmo, falando à multidão que cercava o quartel onde se refugiara Marcelo Caetano -, não deixo por isso de saber que a batalha não está terminada, que são imensas as dificuldades e as incógnitas que ainda pela frente. Há gente pobre a saquear as mansões obscenamente ostentatórias dos dignatários do regime? Compreende-se, mas alguma ordem tem de voltar com urgência às ruas de Bagdad. Há ainda bolsas de resistência e Saddam continua vivo e fugitivo? É possível, mas então há que persegui-lo, de preferência capturá-lo e julgá-lo, e pacificar o país. (…) E, neste momento, só há dois países com autoridade moral e forças no terreno para liderarem o processo: os Estados Unidos e o Reino Unido. Devem fazê-lo – e prometem fazê-lo – no quadro das Nações Unidas. Devem fazê-lo – e já estão a fazê-lo – envolvendo iraquianos, vindos ou não da oposição no exterior. E devem sobretudo fazê-lo entregando o destino do Iraque aos iraquianos o mais depressa possível, em democracia, num quadro plural, talvez federal, o mais estável que for possível. E devem ser esses iraquianos, o povo iraquiano, a escolher os países com quem negociarão, a quem venderão o petróleo e a quem contratarão o trabalho de reconstrução (e escrevo isto sem me esquecer do espectáculo repugnante dado nestes últimos dias pela França e pela Alemanha a tentarem atrelar-se ao cavalo da vitória em nome dos interesses das suas empresas). Mas o que nos sobra de ontem são imagens fortes como aquele “somos livres” que gritava, eufórico, em Najaf, um velho iraquiano ao ver chegar soldados iraquianos do contingente criado pelos oposicionistas. Vestiam uniformes americanos mas distinguiam-se pelos lenços “à palestiniano” que traziam em redor do pescoço. O que mostra que mesmo depois de terminada e vencida esta guerra – e ela não está ainda terminada -, é necessário vencer a paz. Não só no Iraque, mas em todo o Médio Oriente. A começar pela Palestina. Sem isso a primeira vitória da visão de Wolfowitz – a previsão de que os exércitos aliados seriam recebidos como libertadores – não terá a sua mais importante sequência: criar uma democracia e gerar um efeito dominó democrático em toda a região. Para que muitos possam repetir o grito dos iraquianos: “somos livres”. E que nem só “Saddam é inimigo de Deus”: muitos dos seus líderes autoritários e corruptos também são. PS – Ontem houve órgãos de informação que deram mais importância ao que aconteceu a alguns jornalistas em Bagdad do que ao que se passava em Bagdad, esquecendo que os jornalistas fazem as notícias, não se colocam no lugar das notícias.


Hotel Palestina e a memória do crime de guerra que matou José Couso há 10 anos

8 Abril 2013

Onde estavam os jornalistas? #iraque #cnn

25 Março 2013
Entre o ruído repetido pelo media ocidentais, alguns contavam, mesmo nos Estados Unidos, outras histórias sobre o que se passava no Iraque – a invasão, as causas da invasão, a guerra… Entrevista de Christiane Amanpour com Jonathan Landay e Warren Strobel. “O spinning aconteceu e voltaria a acontecer”, diz um deles.

Gráfico da CNN esqueceu-se do nosso bailout

23 Março 2013

Funding a bailout from your bank account? – Amanpour


Livros

23 Março 2013

A Presença editou recentemente este livro. A Democracia na Europa – Uma perspetiva de futuro propõe-se “como um contributo para a construção de uma união económica e política forte, elenca temas da máxima importância para a vida de todos nós e centra-se em aspetos pouco conhecidos do público português e dos cidadãos europeus em geral.” Prossegue a sinopse que os autores — a eurodeputada francesa Sylvie Goulard e o ex-comissário Mario Monti “dois europeístas de larga experiência” –, tomam como ponto de partida e fonte de inspiração para as suas reflexões Tocqueville para repensar a União Europeia em moldes inteiramente novos e sob uma perspetiva de longo prazo, para que os europeus possam escolher juntos e de forma direta os seus governantes através de instituições supranacionais. A Democracia na Europa, que se propõe como um contributo para a construção de uma união económica e política forte, elenca temas da máxima importância para a vida de todos nós e centra-se em aspetos pouco conhecidos do público português e dos cidadãos europeus em geral”. Mário Monti a propôr escolha de forma direta, hein? 


Titulagem

23 Março 2013
Bem visto pela TSF: Não foi o ex-vice-primeiro-ministro que afirmou ser necessário “evitar uma crise política”, foi o presidente do Banif.

Titulagem

22 Março 2013
O Sol escreve “Orçamento chumbado” mas isso não é correto. O título correto seria “Orçamento inconstitucional”.

Muitos

21 Março 2013

Quanto morreram no Iraque depois da invasão encabeçada pelos EUA? Escolha a sua resposta.


Ai a troika, a troika

21 Março 2013


Foto de capa do La Vanguardia de hoje. Representantes da troika em Chipre riem depois de uma reunião com o presidente do país.

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Doodle do dia

21 Março 2013

Rafael Bordallo Pinheiro hoje no Google. Sim, a imagem podia ter sido melhor. 


Relato da Globo, início do bombardeamento de Bagdad #iraque

19 Março 2013
Relato da TV Globo do início do bombardeamento das forças lideradas pelos Estados Unidos da cidade de Bagdad, a partir de imagens da Abu Dhabi TV.

Globo sobre Guerra no Iraque – YouTube


O fim do "Machin"?

19 Março 2013
Eduardo Lourenço, Público,
19.03.2003

Um dia antes de voar para os Açores, o Presidente dos Estados Unidos, ladeado do mais pacífico dos seus anjos, anunciou, numa surpresa bem calculada, que um dos objectivos da sua cruzada seria a instauração da paz no Médio Oriente. Em suma, a Palestina. Acabou por onde se esperava que tivesse começado, com a alusão directa ao conflito Palestina-Israel que, desde bem antes do 11 de Setembro, tem sido o pesadelo da política americana entrelaçada quase organicamente com o destino de Israel. Ainda a sua promessa ia no ar e já Sharon a rejeitava, sinal de que mesmo o pós-Saddam Hussein não será um caminho de rosas. Apesar de tudo, essa referência de último minuto ao “essencial” tão grosseiramente ocultado durante quase dois anos é uma confissão de monta. Toda a política americana vive, sobretudo desde a queda do Muro, hipotecada pelo drama israelo-palestiniano. É a sua túnica de Nessos. Para se libertar dela, o clã americano-sionista prepara-se para punir o Iraque, escolhido como o alvo mais ameaçador para Israel e também mais vulnerável no triângulo das Bermudas do Médio Oriente, que é há muito e, sobretudo, desde a implantação de Israel na Palestina o centro da política mundial.Os dados estão lançados. O Iraque deixará de ser um elemento perturbador no espaço do Próximo e Médio Oriente. Em escasso tempo, como se verá, e é imperativo que o seja para a coligação tripartida. O Iraque é uma inexistência militar. A única coisa que Saddam Hussein não entregou aos inspectores das Nações Unidas foi a escova de dentes. A guerra que está começando é, sob todos os pontos de vista, uma guerra de ficção. Os falcões de Washington triunfaram – facilmente – em toda a linha, salvo num ponto: não convenceram a opinião pública mundial, nem mais ninguém do que os três mosqueteiros europeus que Saddam Hussein era uma ameaça credível contra a paz do mundo. Já o terá sido há 12 anos para o Kuwait e Israel, não o é hoje contra ninguém, por mera impossibilidade física. O que não impede que a maior armada ocidental desde a Segunda Guerra Mundial se prepare para libertar o mundo de um autêntico tirano, militarmente inócuo mas excelente alvo para a estratégia mundial adoptada pela Administração Bush bem antes do 11 de Setembro. Uma só e imprevista resistência encontrou até hoje a cruzada do bem, capitaneada pelo evangelista Bush: a das Nações Unidas e, em particular, a dos três membros do Conselho de Segurança com direito de veto, a França, a Rússia e a China. O obstáculo França revelou-se inultrapassável. Velha aliada dos Estados Unidos, nação-madrinha do seu nascimento político, mas igualmente devedora do concurso americano na sua luta contra a Alemanha e ameaça potencial da ex-União Soviética, a França e a resistência francesa surpreenderam. Numa primeira fase, as veleidades da autonomia política do país de De Gaulle no âmbito das Nações Unidas não foram tomadas muito a sério, depois irritaram e, por fim, com a ameaça do veto ofuscaram e puseram a França na lista negra. “Ecrasez l’infame” é o grito da América profunda, a retrógrada, naturalmente. A História dirá se a França, calçando as botas do general num contexto já não bipolar, presumiu das suas forças. A sua posição é coerente mas delicada e de consequências imprevisíveis. O paradoxo da situação é que da não convergência dos Estados Unidos e da França o efeito nefasto será o da morte anunciada ou já em curso das Nações Unidas. Não sei se à parte Bin Laden em pessoa, alguém se poderá regozijar com isso.Na aparência, pelo menos, quem menos precisa das Nações Unidas são os Estados Unidos, seus inventores, juntamente com a Inglaterra. Durante este mais de meio século de existência, as Nações Unidas salvaguardaram não sem risco e brio a vocação de paz para que tinham nascido. Pode mesmo admirar-se a paciência dos Estados Unidos numa época em que as Nações Unidas eram mais “oposição” à sua política do que outra coisa. O general De Gaulle tinha menos motivos para se irritar ou desdenhar da política confusa ou demagógica das Nações Unidas do que os mesmos Estados Unidos. Mas foi o general que tratou as Nações Unidas de “Machin”, nome intraduzível, equivalente a “essa coisa”, “essa máquina” ou ainda pior. De Gaulle só acreditava e tomava a sério as nações. Aquela assembleia para ele era uma espécie de feira da ladra. Não viveu o suficiente para lamentar o seu desabafo. E ainda menos para admitir que a paz, ao fim e ao cabo, esteve durante mais de meio século, suspensa do “Machin”.Que vai suceder quando o “Machin” voar em estilhaços? Neste momento, virtualmente, ou antes, simbolicamente, as famigeradas “nações unidas”, são tudo, salvo unidas. A França, não sem argumentos sólidos, responsabiliza os Estados Unidos, com a sua arrogância imperial e a sua desenvoltura texana de tomar as Nações Unidas como uma câmara de registo da sua vontade. Os Estados Unidos, por sua vez, culpam a França de obstrução sistemática aos esforços concretos que eles e a Inglaterra têm feito para desarmar o tirano de Bagdad. Acontece apenas que, de caminho e extrapolando o mandato da célebre resolução 1441, os Estados Unidos e a Inglaterra passaram do desarmar, já difícil, à exigência política da queda do ditador. E, aqui, nem a forma nem o fundo da resolução favoreciam ou autorizavam o derrube de Saddam Hussein. A contradição é de tomo e, está à vista, insolúvel.Como Alexandre e sem estados de alma, e bem se viu nos Açores, George Bush já baixou o polegar. Contra Saddam Hussein, morto ou vivo, em vez do fantasma de Bin Laden. Na realidade, contra as Nações Unidas que, no último gesto teatral – admiravelmente encenado, convenhamos -, o messiânico chefe da América quer salvar de si mesmas. Muito pragmaticamente, não tendo a caução moral de uma instância convencida do bom fundamento da sua cruzada, Bush irá só ao combate. Não é situação que lhe desagrade. Bem sabe que Bagdad não será o seu Forte Álamo. Bagdad é uma Jericó que não precisa das sete voltas em roda para se desmoronar. Dois anos após o maior bombardeamento mediático da história humana, a antiga Babilónia cairá sem um ai. Mas com as câmaras de televisão de todo o mundo à sua volta para lhe recolher o último suspiro. Esperemos que não seja o da paz no mundo e por muito tempo.

#Iraque Portugueses contra guerra unilateral

19 Março 2013

“A esmagadora maioria dos portugueses está contra a guerra ao Iraque nos termos em que ela foi desencadeada pelos EUA, Reino Unido e aliados (sem mandato prévio da ONU). Esta a nota mais importante de uma sondagem telefónica conduzida nos dias 18 e 19 (antevéspera e véspera do início do conflito) pela Universidade Católica para o PÚBLICO, Antena 1 e RTP. Segundo o estudo, a melhor opção para garantir o desarmamento do Iraque teria sido continuar as inspecções (45 por cento) ou aprovar uma resolução com um ultimato (30 por cento). Só 17 por cento dos inquiridos apoia a atitude adoptada na madrugada de ontem por Washington. Esta posição não significa, contudo, que os inquiridos sejam maioritariamente contra a guerra “tout court”. Nesta questão o “eleitorado” está partido ao meio: 46 são contra a guerra mesmo que ela tivesse sido mandatada previamente pela ONU; 49 são a favor de uma acção militar. Só que neste campo há uma divisão importante: 38 por cento exigiam uma resolução do Conselho de Segurança; 11 por cento achavam-na dispensável. A actuação dos órgãos de soberania portugueses também foi alvo dos inquéritos. Genericamente, o Governo saiu-se mal e o Presidente da República bem “… 

PÚBLICO, 21.03.2001


#iraque 50 mortos marcam 10.º aniversário de invasão

19 Março 2013

Passam esta quarta-feira dez anos sobre a intervenção norte-americana que derrubou Saddam Hussein no Iraque. Este dia de véspera está a ser marcado por vários atentados, tendo já morrido 50 pessoas, de acordo com a Reuters. Há também mais de 150 feridos resultantes desta série de explosões em Bagdade. Fonte da polícia iraquiana disse à agência EFE que 12 carros armadilhados e dois artefatos explodiram nos bairros de Kazamiya, Cidade de Sadr, Nova Bagdade, Huseiniya e Zafaraniya, todos xiitas. Rebeldes sunitas ligados à Al-Quaeda têm multiplicado ataques contra bairros xiitas nos últimos meses a fim de prejudicar o governo do primeiro ministro Nuri al-Maliki.


Discurso de Bush antes de anunciar a guerra

19 Março 2013

Discurso de Bush sobre o início da guerra no Iraque

 ”Meus companheiros cidadãos, neste momento as forças norte-americanas e de coalizão estão no estágio inicial da operação militar para desarmar o Iraque, libertar sua população e defender o mundo de um grave perigo. Sob minhas ordens, as forças de coalizão começaram a atacar alvos específicos de importância militar para minar a capacidade bélica de Saddam Hussein. Este é o estágio inicial daquela que será uma campanha ampla e planejada. Mais de 35 países estão dando uma colaboração fundamental, do uso de suas bases navais e aéreas à ajuda em questões de inteligência e logística, e à convocação de unidades de combate. Cada país nessa coalizão escolheu assumir sua tarefa e dividir a honra de servir em nossa defesa comum. A todos os homens e mulheres das forças armadas dos Estados Unidos que estão agora no Oriente Médio, a paz de um mundo tumultuado e a esperança de um povo oprimido agora depende de vocês. A confiança está bem colocada. Os inimigos que vocês confrontarem conhecerão sua habilidade e sua coragem. As pessoas que vocês libertarem testemunharão o espírito honroso e íntegro dos militares norte-americanos. Neste conflito, a América encara um inimigo que não tem respeito por convenções de guerra ou regras de moralidade. Saddam Hussein instalou tropas e equipamentos iraquianos em áreas civis, tentando usar homens, mulheres e crianças inocentes como escudos para suas próprias tropas, uma última atrocidade contra seu povo. Eu quero que os norte-americanos e todo o mundo saibam que as forças de coalizão farão todo o esforço para poupar civis inocentes. Uma campanha no terreno inóspito de uma nação com o tamanho da Califórnia poderia ser mais longa e mais difícil que alguns acreditam. E ajudar os iraquianos a alcançarem um país unido, estável e livre exigirá nosso compromisso prolongado. Nós entramos ao Iraque com respeito a seus cidadãos, sua grande civilização e às crenças religiosas que praticam. Não temos ambições no Iraque, a não ser remover uma ameaça e restaurar o controle do poder a seu próprio povo. Eu sei que as famílias de nossos militares estão rezando para que todos que servem retornem com segurança e rapidamente. Milhões de americanos estão rezando com vocês pela segurança de nossos entes queridos e pela proteção dos inocentes. Por seu sacrifício, vocês terão a gratidão e o respeito do povo norte-americano, e vocês podem ter certeza que nossas forças voltarão para casa assim que seu trabalho for cumprido. Nossa nação entra neste conflito relutante, ainda que certa de nosso propósito. O povo dos Estados Unidos, nossos amigos e aliados não viverão à mercê de um regime criminoso que ameaça a paz com armas de assassinato em massa. Nós enfrentaremos essa ameaça agora com nossos Exército, Força Aérea, Marinha, Guarda Costeira e fuzileiros, para então não termos de enfrentá-la mais tarde com exércitos de bombeiros e policiais e médicos nas ruas de nossas cidades. Agora que o conflito chegou, a única maneira de limitar sua duração é aplicar um poder decisivo. E eu lhes asseguro: essa não será uma campanha de meias ações e aceitaremos nenhum outro resultado senão a vitória. Meus companheiros cidadãos, os perigos sobre nosso país e o mundo serão superados. Nós transpassaremos esse momento de risco e continuaremos com o trabalho pela paz. Nós defenderemos nossa liberdade. Nós traremos liberdade para os outros. E nós venceremos. Que Deus abençoe nosso país e todos que o defendem.”

 Transcrissão e radução Folha Online


#iraque Se cumplen 10 años de la Cumbre de las Azores.

17 Março 2013


17/03/2013
Madrid, 16 mar (EFE).- Hoy se cumplen diez años de la famosa “cumbre de las Azores”,el encuentro que los máximos representantes de Estados Unidos,Reino Unido y España celebraron en este archipiélago portugués el 16 de marzo de 2003, y que con el tiempo se convirtió en todo un símbolo de la guerra de Irak.


Rui Rio diz que se não fosse a sua persistência não havia Circuito da Boavista

14 Março 2013
Puto espera que a irmã lhe dê a bola, Porto, Poveiros, Março 2013


2 anos depois do #12M

12 Março 2013
A gente que enchia a rua de Santa Catarina antes de desaguar na praça da Liberdade, na maior enchente desde os anos 1980 (ou as vitórias do FCP)

Outras fotografias desse mesmo dia em que, graças a eles, acordamos.


Documentário Vásquez Montalbán

12 Março 2013


Livros ardem bem

10 Março 2013
Pelo menos a capa. Queimem a capa. Arte de Caminhar, Henry David Thoreau, Editora Padrões Culturais.

Oporto de ayer, hoy y siempre

9 Março 2013

Ocholeguas | elmundo.es


Não há liberdade a sério…

9 Março 2013
Pedinte @ Pingo Doce, cartaz Que se Lixe a Troika “Liberdade”, Sérgio Godinho no mp3. Março 2013 

O descanso dos bombos #2m

8 Março 2013
Mareantes do Rio Douro, 2 de Março


A simpatia da Soraya

7 Março 2013

Ontem, por causa da morte de Chávez, os meus conterrâneos fizeram o favor de me esgotar o El País. Por isso, tive de comprar o El Mundo, algo que não fazia desde as últimas Legislativas espanholas. Dos vários exemplos do jornalismo de proximidade – com algumas cúpulas do PP – hoje descobri a mais engraçada: A vice-presidente do Governo Soraya Saenz de Santamaria reuniu com Angela Merkell e convenceu-a que eram necessárias políticas de crescimento, “com simpatia”.


Chávez, o pateta que aprendi a respeitar

7 Março 2013
A nossa opinião é naturalmente formada a partir de preconceitos. De preconceitos e da sua racionalização. Para muitos, a eleição de Chávez foi uma circunstância de lesa-humanidade, a liberdade ficaria em perigo, assim como os valores tradicionais dos países da América Latina, entre os quais a religião, as oligarquias e, no caso da Venezuela, o petróleo. Pessoalmente, se bem me lembro, a eleição de Chávez representou não uma mudança mas uma continuidade na Venezuela de um regime mais ou menos autocrático, tradicionalmente latino-americano, em que os militares salvaguardam o poder das elites instaladas, incluindo os seus. Ainda assim, por preconceito, gostei que houvesse um contrapoder aos Estados Unidos que usavam e abusavam do poder no seu junkyard, como se tinha visto anos antes no Panamá.

A eleição de Chávez teve uma proximidade temporal com a visita de João Paulo II a Cuba. Sendo crítico da não evolução do regime dos Castro e do poder da fé no espaço público (portanto político), não admira que,  por isso também, tenha olhado de lado a “revolução bolivariana” que creio ser (e os acontecimentos do último ano vieram a comprová-lo) filha dessa visita papal. O meu não-apoio a Chávez foi reforçado pelo esforço de silenciamento que fez da oposição, nomeadamente focando-se em jornalistas e meios de comunicação. Para culminar, as conversas com familiares que tenho na Venezuela (democratas-cristãos, opositores do bolivarianos) sobre o dia-a-dia em Caracas, nomeadamente a perseguição dos que não eram chavistas — ficou-me na memória um relato muito impressivo sobre a perseguição dos bolivarianos aos que não vestiam a camisa vermelha no dia em que era suposto todos os venezuelanos vestirem-se de camisa vermelha — ditaram o meu desprezo pelo personagem.

No entanto, temos de racionalizar os preconceitos. Quando comecei a tomar consciência política, a América Latina era um viveiro de ditadores. Ditadores a sério, daqueles que têm polícia política, polícia de costumes, câmaras de tortura, milhões de dólares na Suiça, exércitos sobredimensionados, poucas e más escolas, poucos e maus hospitais, pouca e má proteção civil. Eram um grande junkyard, para onde eram levados os lixos tóxicos dos países desenvolvidos, sobretudo dos Estados Unidos mas também da Velha Europa. E onde se experimentavam sistemas, modelos, armas, torturas. Era um continente pobre, verdadeiramente pobre, verdadeiramente violento, onde a vida dos cidadãos, da grande maioria dos cidadãos, era condicionada ao poder da ocasião, o poder do militar da vez e dos paus mandados da altura. Milhares de pessoas foram mortas por pensarem de maneira diferente, por terem filhos bonitos, por terem terras com petróleo, por terem terras que podiam ser utilizadas pelas multinacionais dos países desenvolvidos. Milhões passavam fome.

Foto Diário de Orinoco

Quando comecei a enquadrar a “ditadura” de Chávez na história da América Latina, quando pensei nele em antagonizando a Noriega, a Somoza, aos generais, ao Pinochet, aos capachos da Nicarágua e Honduras, aos corruptos mexicanos, aos jeitosos brasileiros… quando o comecei a fazer dei o benefício da dúvida ao que Chávez estava a alcançar. Continuei a desprezar o personagem, mas entre enquadramento histórico e os resultados que ele alcançou na distribuição da riqueza do país, na melhoria das condições de vida para um número crescente de venezuelanos e no poder real que o país tinha na cena internacional (o país, não já a elite) comecei a aceitar que o “ditador raríssimo que insiste em ser eleito”, como lhe chama Eduardo Galeano, afinal tinha caminho para andar. Se fosse venezuelano não o aclamava, combatê-lo-ia como a um Berlusconi ou a um Bush, mas decerto o aceitava como presidente.

A minha tese inicial, de que Chávez nasceu da visita de João Paulo II a Cuba, mantém-se. O que se passou em Dezembro quando, estando o bolivariano em Havana, acompanhado de Fidel, milhares saíram às ruas de Caracas para uma oração coletiva para que Deus o protegesse e o que se passou ontem à noite, as vigílias, o choro coletivo nas ruas da capital pela perda do pai protetor, com rezas e encomendando a Deus a sua presença ao seu lado, comprovam-na.

Contudo, a realidade tem destas coisas, Chávez foi eleito. E reeleito. E venceu um referendo que lhe permitiu voltar a ser eleito. E o seu partido ganhou. E a sua frente — que caminhou inicialmente em paralelo com a “velha” Esquerda — ganhou votos. E as eleições foram sendo inspecionadas, nomeadamente por um ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter. Por muitos preconceitos que o fenómeno Chávez tenha despoletado em mim, há que reconhecer o que ele foi e o que ele significou.

Lido bem com os meus preconceitos, faço um esforço para os educar.

(Paralelamente, o que li e ouvi nos media e nas redes sociais neste dia e meio sobre a morte do Chávez deixaram-me estupefacto. Se não é normal ler jornalistas e comentadores a celebrar a morte de Saddam e Kaddafi e a festejar a de Bin Laden, menos ainda em relação a um líder eleito e sufragado pelo seu povo. )

Texto escrito a quente na madrugada de ontem, correções ortográficas e fotos escolhidas esta manhã.


Google Says the FBI Is Secretly Spying on Some of Its Customers

7 Março 2013

Threat Level | Wired.com


Mário Viegas

6 Março 2013
“Europa não, Portugal nunca”. Rua de D. João IV, Porto

Anish Kapoor, Guggenheim de Bilbao

5 Março 2013
Bilbo, 2010

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